Pular para o conteúdo principal

Capuz Vermelho e os Foragidos vol. 1 | Trindade Desajustada

Ficha 
Nome original: Red Hood and the Outlaws vol. 1
Publicação no Brasil: out/2017
Edição: encadernado com capa cartão e lombada quadrada
Periodicidade: eventual (💔)
Histórias: Red Hood and the Outlaws Rebirth 1; Red Hood and the Outlaws 1-6
Roteiro: Scott Lobdell | Arte: Dexter Soy | Cores: Veronica Gandini

Um pouco atrasada resenhando um quadrinho que saiu em outubro? Talvez, mas eu gostei muito, quero resenhar os próximos e recomendo para quem não está acompanhando ainda.

Da mesma forma que acho complicado avaliar um volume isolado (com exceção de histórias fechadas, que não são tão frequentes hoje em dia), resenhar um volume formado por vários números diferentes também pode ser difícil. O nosso volume 1 de Capuz Vermelho e os Foragidos é formado, na verdade, por sete volumes, publicados originalmente num período de sete meses. Acho que não tem como a experiência ser a mesma  acompanhar esses volumes saindo mensalmente de ler tudo de uma vez, em um mesmo encadernado.

Felizmente, o que facilita aqui, é que tudo o que foi publicado nesse período foi bom. E forma um todo coeso. 

Começando pela arte. Ao contrário de muitos outros títulos, principalmente os que são publicados quinzenalmente, Capuz Vermelho e os Foragidos tem um excelente time que continua o mesmo ao longo de toda a série. Os desenhos de Dexter Soy com as cores de Veronica Gandini são uma combinação de encher os olhos. 

Eles formam uma publicação tão bonita, que a minha vontade foi de ter todos os volumes assim, impressos (eu costumo ler bastante digital). Há uma super atenção com os detalhes, parece que tudo que está ali foi muito bem pensado. 

E a Veronica Gandini faz um trabalho sensacional com as cores nos flashbacks. É muito bom de ver.
Batman: Você percebe que esse é o Batmóvel. Certo?
Jason: Dã. E você percebe que parou o carro no Beco do Crime. Certo?

Agora falando da história. Peguei esse gibi por uma indicação. Eu tive um percurso bem esquisito no universo de Gotham. Foi algo como Batwoman > Batgirl > Aves de Rapina > Mulher Gato > Batman > Asa Noturna.

Então confesso ter pouca bagagem de Batman. O que eu sabia sobre o Jason Todd antes de ler esse quadrinho era basicamente isso:

"Morte em família" foi um quadrinho publicado originalmente em 1988.
Que ele tinha sido o segundo Robin, não tão popular quanto o primeiro (porque, né? aparentemente todos amam Dick Grayson) e que fizeram uma votação entre os leitores, para decidir o futuro dele. E o resultado foi esse aí da imagem. Sabia também que no momento, ele estava vivo no universo DC. Apesar de Jason já ter estado realmente morto por 17 anos, hoje em dia morrer é algo bem banal para os Robins.

Os Robins mostrando para o Duke como as coisas funcionam em Batman #16.
[Primeiro, Damian, você tá morto de novo. Depois, Bruce, pare de se preocupar. Deixe o Bane vir. Vamos nos juntar, vamos lutar contra ele, vamos ganhar. / Não, primeiro, Jason, você tá morto de novo. Depois, mesmo morto, o Gorro Vermelho está certo. Vamos lutar, vamos vencer. / Dick: Parece bom pra mim. E gosto que nisso aí eu não to morto de novo. / Duke: Espera, todos vocês já estiveram mortos? Eu vou estar morto também?]

Para começar, isso não foi um problema, já que é um livro bem didático (no bom sentido) nesse aspecto. Em Renascimento #1, a primeira história, a vida atual do Capuz Vermelho é intercalada com os flashbacks de Robin, o que situa bem a gente em tudo o que aconteceu. Eu acho que a história é contada de um jeito bem legal. Não acho que fique cansativo para quem já conhece.

A morte de Jason Todd, versão Renascimento.

Pesquisando, já vi várias coisas serem ditas sobre o Capuz Vermelho: violento, rebelde, chato, enjoado. Provavelmente coisas que fizeram leitores gostarem e desgostarem dele. Como foi meu primeiro contato, não vou ter como avaliar estas questões sobre o caráter do personagem. Se ele está bem representado ou não, se está melhor assim ou era melhor antes. Só posso dizer o que achei lendo esse encadernado. E eu gostei muito.

O Jason Todd de Renascimento tem sim um espírito rebelde. Mas sem se tornar chorão, ou transformar tudo sobre ele. A relação complicada com o Batman é explorada no presente e no passado, com muito bons momentos (bons de ler, não que tenham sido bons pra eles). Jason tem a própria Batcaverna, inclusive  afinal, não é como se ele tivesse autorização para usar A Batcaverna. A gente sabe pouco, por esse gibi, sobre as tretas que aconteceram depois que ele foi ressuscitado. Mas dá pra ver que não foi bom. E agora, dá pra entender o ponto de vista dele e ver que ele está tentando.


´"Engoliria um jato invisível antes de deixar Diana me dizer o que fazer" — Ártemis

Desde o início, o gibi é vendido como a história da "Trindade Sombria", fazendo um paralelo com a trindade da DC. Eu não lembro de ter lido a quarta capa, mas realmente não me toquei disso até realmente ler a história. 


De qualquer forma, não é algo introduzido do começo, e sim uma coisa que acontece aos poucos. A primeira que aparece é Ártemis. Só depois vem o Bizarro. Só sei que eu gostei bastante dessa trindade invertida. Os três são desajustados e "errados", muito diferentes dos "originais". Mas são personagens cativantes justamente por essa rebeldia. 


Apanhar de uma amazona não é para qualquer um.

Há uma troca de farpas constante entre Ártemis e Capuz Vermelho. Com Bizarro, no entanto, a relação é terna, e nos é mostrado o quanto Jason se identifica com ele. As interações entre os três são divertidas, e a relação tem um desenvolvimento muito gostoso de acompanhar, que eu acho, na verdade que é o ponto alto da história. 



Pualto?

O caso em si, em torno do qual a história gira 
— o Capuz Vermelho infiltrado na organização do Máscara Negra — não me convenceu muito. Como ele chegou lá eu entendi: a investigação, a justificativa, a necessidade de se provar para o Batman. Mas a forma que aconteceu, não. Não vou entrar em detalhes sobre o porquê para não dar spoilers, mas acho que se você leu a história vai entender o que eu estou dizendo. Minha única crítica acho que seria essa. Não é algo, contudo, que interfira na qualidade geral do quadrinho. E continuo recomendando demais!

Máscara Negra e sua máscara de BDSM.

Como eu já mencionei, é um gibi quinzenal nos EUA, onde já foram publicados 18 volumes + 1 anual. Aqui no Brasil, no entanto, a Panini publica com periodicidade "eventual" a versão que reúne vários números (que também é publicada de tempos em tempos por lá). Isso significa que a gente não sabe quando vai sair. Eu já vi um comentário no hotsite da DC na Panini dizendo que eles já sabem quando sai o próximo, mas não podem falar. Como só tem 3 meses que esse aqui saiu, aposto em pelo menos mais 3 meses pra frente, infelizmente. Vamos acompanhar.


Depois desse gibi, eu ficaria muito feliz com um bonequinho do Capuz Vermelho. Deixa de ser chato, Damian.
(imagem de Batman #16)

Comentários